quinta-feira, 3 de maio de 2018

Odontogênese

Apesar de cada dente se desenvolver como uma estrutura independente e de se formarem tipos dentários morfologicamente diferentes, isto é incisivos, caninos, pré-molares e molares, o processo de desenvolvimento do dente, denominado odontogênese, é basicamente o mesmo. Inicia-se como resultado da interação entre o epitélio oral e o ectomesênquima subjacente, originando a banda epitelial primária e a seguir a lâmina dentária. Os germes dentários seguem, subsequentemente, as fases de botão, capuz, campânula, coroa e raiz. A interação entre  o epitélio oral e o ectomesênquima subjacente dá origem a uma estrutura chamada de banda epitelial, esta estrutura ao continuar sua proliferação e com isso aumentar o seu número de células, sofre degeneração das células centrais dando origem a uma fenda que futuramente dará origem ao fundo de saco do sulco vestibular. Duas estruturas surgem a partir da banda epitelial, são elas a lâmina vestibular e a lâmina dentária.

FASE DE BOTÃO

Após a proliferação inicial de células que deu origem a lâmina dentária, ocorre em alguns locais dessa estrutura atividades mitóticas diferenciadas, que resultarão na formação de dez esférulas que invadem o ectomesênquima a partir da oitava semana de vida intrauterina representando o início da formação dos germes dentários. A fase em que esses eventos ocorrem é chamada de botão. Nessa fase o ectomesênquima subjacente apresenta uma leve condensação de suas células em torno da parte mais profunda da esférula epitelial.




FASE DE CAPUZ
Com a continuação da proliferação o botão não continua a crescer uniformemente, apresentando, portanto um crescimento desigual que o leva a ter uma forma que se parece com um boné, por isso esta fase é chamada de capuz. Nessa fase o órgão dentário já é formado por vários componentes. A porção epitelial, que a partir desta fase apresenta várias regiões distintas, denomina-se órgão do esmalte e é composto pelo epitélio interno e externo do órgão do esmalte e pelo retículo estrelado, e é responsável pela formação do esmalte dentário. Ao mesmo tempo o ectomesênquima aumenta o seu grau de condensação de maneira que se observa claramente uma massa de células muito próximas umas das outras. Essa condensação é denominada papila dentária a partir desta fase de desenvolvimento, é responsável pela formação da dentina e polpa. Ainda na fase de capuz, o ectomesênquima que rodeia o órgão dentário e a papila dentária sofre uma condensação formando uma cápsula chamada de folículo dentário, sendo responsável por originar futuramente o periodonto de inserção (cemento, ligamento periodontal e osso alveolar).


FASE DE CAMPANÛLA
Após a fase de capuz vai diminuindo a proliferação das células epiteliais e, portanto, o crescimento do órgão do esmalte. Nessa nova fase, a parte epitelial do germe dentário apresenta um aspecto de sino com sua concavidade mais acentuada e suas margens mais aprofundadas. Todavia, quando a divisão celular diminui, tanto o órgão do esmalte quanto as células ectomesenquimais ocorre a diferenciação. Assim sendo, esta fase também é denominada de fase de morfodiferenciação e histodiferenciação. No órgão do esmalte a região do retículo estrelado continua a crescer em volume. As células do epitélio externo são achatadas tornando-se mais pavimentosas, e as células do epitélio interno alongam-se formando células colunares baixas. Além das modificações na estrutura do órgão do esmalte, nessa fase aparecem entre o epitélio interno e o retículo estrelado duas ou três camadas de células pavimentosas que constituem o estrato intermediário. Além disso, na região onde os epitélios externo e interno se encontram, ao nível do borda do sino, forma-se um ângulo agudo, essa região é chamado de alça cervical. Nessa fase, a porção da lâmina dentária começa a sua desintegração.



FASE DE COROA
Denominada também fase de campânula avançada e corresponde a deposição de dentina e esmalte da coroa do futuro dente. É nesta fase que ocorrem a amelogênese e a dentinogênese. As células do epitélio interno sofrem inversão de polaridade e se transformam em pré-ameloblastos. Estes induzem as células da periferia da papila dentária a se diferenciar em odontoblastos, que secretam a primeira camada de matriz de dentina – a dentina do manto. A dentina do manto induz a diferenciação final dos pré-ameloblastos em ameloblastos, os quais sintetizam e secretam a matriz orgânica do esmalte, que basicamente é proteica, porém de natureza não colágena. camadas de dentina e de esmalte são, então, depositadas, aumentando a espessura desses tecidos no dente, à medida que se aproxima da erupção. É bom lembrar que a deposição de esmalte ocorre de dentro (região mais próxima da dentina) para fora (em direção ao epitélio oral), ou seja, centrifugamente, e a deposição de dentina ocorre de fora (região próxima ao esmalte) para dentro (região próxima à papila dentária), ou seja, centripetamente. Após a formação da primeira camada de dentina, a papila dentária já pode ser chamada de polpa dentária.




FASE DE RAIZ

Nessa fase, os epitélios interno e externo do órgão do esmalte que constituem a alça cervical, proliferam em sentido apical e induzem a formação da raiz do dente. A alça cervical prolifera e sofre uma dobra, constituindo o diafragma epitelial. As células epiteliais continuam a proliferar, originando outra estrutura: a bainha epitelial radicular de Hertwig. As células da camada interna da bainha radicular de Hertwig induzem as células ectomesenquimais da papila dentária a se diferenciar em odontoblastos, para a formação da dentina radicular. Esta passa a ser intensamente sintetizada e a bainha radicular de Hertwig não acompanha esse crescimento, fragmentando-se e formando grupos de células isolados, denominados restos epiteliais de Malassez.
Dessa forma, após a fragmentação da bainha epitelial de hertwig, o folículo dentário entra em contato com a dentina radicular em formação. Então, as células ectomesenquimais do folículo diferenciam-se em cementoblastos, secretando a matriz orgânica do cemento. As células do lado externo do folículo diferenciam-se em osteoblastos, formando o osso alveolar. As células da região central tornam-se principalmente fibroblastos e formam o ligamento periodontal.
O cemento acelular (de fibras extrínsecas, formado pelos fibroblastos do ligamento periodontal) está presente próximo a região cervical do dente, enquanto o cemento celular (de fibras intrínsecas, formado principalmente pelos cementoblastos) está mais próximo da região do ápice radicular. Após o término da síntese do esmalte, os ameloblastos formam um epitélio protetor que recobre a coroa até a erupção do dente e que é importante na prevenção de vários defeitos do esmalte. É o chamado o epitélio reduzido do esmalte, que contribuirá para a formação do epitélio juncional da gengiva.






Referências Bibliográficas
JUNQUEIRA L. C., CARNEIRO J.; Histologia Básica, 10ª edição, Guanabara Koogan, 2004.
KATCHBURIAN E., ARANA V., Histologia e Embriologia Oral, Guanabara Koogan, 1999.
DI FIORI M. S. H., Atlas de Histologia, 7ª edição, Guanabara Koogan, 2001.
Anatomia Dentária, Série Resumão Medicina nº 19, 2ª edição, Barros, Fischer & Associados, 2005.
Guia Seleções de Medicina & Saúde para Sua Família, vol. 2, Reader’s Digest Brasil, 2004.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Exercícios

1ª Com relação ao tecido epitelial analise os itens I, II e III e assinale a alternativa correta.    

 I.    Possui células justapostas, com pouca ou nenhuma substância intercelular.    
 II.   Desempenha as funções de proteção, revestimento e secreção.    
 III.  É rico em vasos sanguíneos, por onde chegam oxigênio e nutrientes para as suas células.

a)  I e III são verdadeiros
b) II e III são verdadeiros
c) I e II são verdadeiros
d) Somente um deles é verdadeiro
e) Todos são verdadeiros

2ª O tecido epitelial do intestino apresenta microvilosidades que correspondem a um recurso utilizado para:

a) Facilitar seu movimento
b) Aumentar sua superfície de absorção
c) Obter mais energia
d) Manter sua morfologia
e) Evitar a perda excessiva de água

3ª As glândulas são estruturas formadas por grupamentos de células epiteliais que se multiplicam e penetram no tecido conjuntivo subjacente. Como exemplos de glândulas exócrinas temos:

a) Sudorípara e tireoide
b) Sudorípara e hipófise
c) Sebácea e sudorípara
d) Pâncreas e sebácea

4ª Sobre o tecido epitelial marque a alternativa incorreta

a) São constituídos por células poliédricas
b) A forma das células epiteliais varia muito, desde células colunares altas até células pavimentosas, com todas as formas intermediarias dessas células
c) O núcleo dos vários tipos de células epiteliais tem forma característica, variando de esférico até alongado ou elíptico
d) Apenas uma pequena parte dos epitélios está apoiada sobre tecido conjuntivo

5ª Sobre os tipos de epitélios de revestimento marque a alternativa correta

a) No epitélio simples, o folheto é constituído por mais de uma camada de células
b) No epitélio estratificado, o folheto é constituído por apenas uma camada de células
c) O epitélio simples pode ser cúbico, pavimentoso, cilíndrico ou de transição
d) O epitélio estratificado pode ser classificado em cúbico, pavimentoso, prismático ou de transição

6ª Sobre o tecido epitelial glandular responda corretamente

a) Nas glândulas exócrinas a conexão com o epitélio é obliterada e reabsorvida durante o desenvolvimento
b) As glândulas endócrinas têm duas porções, uma secretora constituída pelas células responsáveis pelo processo secretório e ductos excretores que transportam a secreção eliminada pelas células
c) As glândulas simples tem somente um ducto não ramificado, enquanto as glândulas compostas têm ductos ramificados
d) Alguns órgãos possuem funções tanto endócrinas como exócrinas, como por exemplo o pâncreas e a tireoide


RESPOSTAS
1 - c
2 - b
3 - c
4 - d
5 - d
6 - c


Questões para revisão prática

Disponível em: http://vegarcez.com.br/histologia.htm 

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sábado, 19 de agosto de 2017

Tecido Epitelial

O tecido epitelial é formado por células que revestem superfícies e que secretam moléculas, tendo pouca matriz extracelular. Assim, suas principais funções são revestimento e secreção.

Principais características dos epitélios
São constituídos por células poliédricas, isto é, células que possuem muitas faces. Essas células são justapostas, e entre elas há pouca matriz extracelular. As células epiteliais geralmente aderem firmemente uma às outras por meio de junções intercelulares. Assim, essas características tornam possível a organização dessas células em folhetos que revestem a superfície externa e as cavidades do corpo ou que se organizem em unidades secretoras.

Tipos de Epitélio
                Os epitélios são divididos em dois principais grupos: Epitélios de revestimento e epitélios glandulares.

Imagem retirada do Site Morfologia Verônica Garcez
Disponível em http://vegarcez.com.br/index.htm
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Tecido Epitelial de Revestimento













Tecido Epitelial Glandular














Epitélio de revestimento
            Nesse tipo de epitélio as células se dispõem em folhetos que revestem a superfície externa do corpo e as cavidades internas.
Os epitélios são classificados de acordo com as características morfológicas das células e o número de camadas que constituem o folheto:

Epitélio simples: Tem apenas uma camada de células, e pode ser classificado em pavimentoso, cúbico ou prismático de acordo com a forma das suas células. 

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Tecido epitelial pavimentoso simples na cápsula de Bowman do corpúsculo renal.

Obs: É possível diferenciar os tipos celulares pelas características morfológicas dos seus núcleos. Por exemplo, no epitélio simples pavimentoso os núcleos das células apresentam-se achatados.








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Tecido epitelial cilíndrico simples no revestimento da mucosa estomacal

Obs: Assim como no epitélio pavimentoso, os núcleos das células cilíndricas também apresentam uma forma diferenciada, dessa vez expõem-se alongados.








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Tecido epitelial cúbico simples no revestimento dos folículos tireoidianos 

Obs: No epitélio simples cúbico as células apresentam núcleos circulares.











Epitélio Estratificado: Apresenta várias camadas de células, e é classificado em pavimentoso, cúbico, prismático ou de transição de acordo com as características morfológicas de suas células.

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Tecido epitelial estratificado pavimentoso não queratinizado

Obs: Diferente do epitélio simples o epitélio estratificado apresenta várias camadas de células.








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Em um maior aumento podemos ver mais detalhadamente as camadas de células pavimentosas












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Tecido epitelial estratificado pavimentoso queratinizado

Obs: O tecido estratificado pavimento pode apresentar acima do epitélio (traçado amarelo) uma camada de queratina, proteína importante para o nosso corpo.







Epitélio Pseudoestratificado: É assim chamado porque embora seja formado por apenas uma camada de células, os núcleos são vistos em diferentes alturas no epitélio parecendo estar em várias camadas.

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Tecido epitelial pseudoestratificado cilíndrico ciliado

Obs: Nesse tipo de epitélio, nota-se a presença de cílios que são prolongamentos dotados de motilidade encontrados em alguns tipos de células epiteliais.






Epitélio de Transição: É um epitélio estratificado em que a forma das células da camada mais superficial varia com o estado de distensão ou relaxamento do órgão.

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Tecido epitelial de transição

Esse tipo de epitélio é encontrado na bexiga urinária. Quando a bexiga está vazia, as células mais externas do epitélio são frequentemente globosas, quando ela está cheia o número de camadas parece diminuir, o epitélio se torna mais delgado e muitas células superficiais tornam-se achatadas.





Tecido Epitelial glandular

Tipos de glândulas
Podem ser classificadas em:         

Unicelulares e multicelulares: De acordo com a quantidade de células que as compõem.

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Células caliciformes: Glândulas unicelulares encontradas nos epitélios do trato digestivo.

Essas células produzem glicoproteínas ácidas do tipo mucina que são hidratadas e formam ligações cruzadas entre si para originar muco, cuja principal função é proteger e lubrificar o revestimento do intestino.






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Tireoide: Glândula multicelular localizada no pescoço em frente a traqueia.













Endócrina, exócrina ou mista: De acordo com o destino da sua secreção

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Adrenais: Glândulas endócrinas localizadas uma sobre cada rim. Produzem os hormônios adrenalina e noradrenalina.





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Glândulas sudoríparas: São exemplos de glândulas exócrinas e participam da termorregulação e excreção de várias substâncias.











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Pâncreas: É um exemplo de glândula mista uma vez que apresenta uma parte endócrina e outra exócrina.














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Lâmina de pele















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Lâmina de pele















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Lâmina de tireoide

Traçado amarelo: Folículo tireoidiano

C: Coloide












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 Lâmina de pâncreas

Traçado amarelo: Ilhota de Langerhans (parte endócrina)

Traçado vermelho: Ácinos serosos (parte exócrina)












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Lâmina de Adrenal

















Imagem retirada do site Atlas de histología vegetal y animal
Disponível em https://mmegias.webs.uvigo.es/a-imagenes-grandes/epitelio
glandula_salivar.php


Lâmina de glândulas salivares